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Que loucura!

Em 1980, Woody Allen publicou um conjunto de textos que chamou Que Loucura! Nas várias histórias que traz, transcende as bizarrices, neuras e ansiedades das várias facetas da humanidade. Não é sobre W. Allen, tampouco sobre qualquer texto alheio, que quero falar, simplesmente quero gritar: Que Loucura! Tanto quanto ele.

Dentre todos os sentimentos que consigo identificar transbordando em mim, estou ansiosa, e é bem difícil desconectar um porquê do outro, deste punhado de coisas embaralhadas que me excitam e me chocam, me comovem e me alegram, também me enlouquecem.

Uma das maiores ansiedades a respeito do casamento tem sido a possibilidade de chuva. Imagina, a pessoa planeja casar-se em um local com amplo espaço ao ar livre, aventuras e atividades em meio à natureza. E daí chove. Tudo bem, temos um “plano B”, caso a chuva não hesite em nos abençoar, ainda haverá casamento. Mas façamos a comparação, convidados de vários lugares se locomovem até o interior do estado para celebrar conosco em um lugar lindo, e daí tem de ficar atulhados dentro de um salão.

Também tem todas essas pequenas coisas que faltam organizar, fazer, arranjar, decorar, planejar e pensar. Quem ficará em cada mesa? Será que fulaninho vem? Será que fulaninha leu o email? Haverá sobremesa pra todos? Vai faltar doces ou sobrar bolo? Quem precisa de lugar para dormir? Quem controla a música? Que horas será o brinde? O que falta? O que mais? Onde? Quando? Como?

Organizar um casamento do zero, em três meses, por conta própria, certamente não é tão simples quanto pensei e, apesar de divertido, dá um trabalhão! Não só pra mim, também para todos os que decidiram se envolver, e eu não sei como faria tudo isso sem os meus pais e os pais do meu noivo, pessoas atenciosas e prestativas que, devo dizer, arrasaram no quesito Faça Você Mesmo Tudo O Que Puder, e estão, com certeza, tão empolgados – ou mais! – quanto nós!

Daí vem a segunda maior ansiedade da atualidade: o Visto não chegar a tempo. No dia 28 de Setembro, uma semana após o casório, está marcado o meu primeiro dia de trabalho em uma nova empresa, em um novo país. Temos uma viagem ao Rio de Janeiro para finalizarmos as documentações, poucos dias antes do dia do casamento. Se tudo correr bem, teremos um prazo de até 15 dias para que os passaportes estejam de volta em nossas mãos, e assim a possibilidade de embarque, dias após o casamento. E não, ainda não arrumamos mala nenhuma.

Tic-tac, tic-tac, ouço os dias correndo e correndo, e ainda tantas coisas fora do lugar. Mas “será lindo”, “vai dar tudo certo”. Aqueles mantras que cantamos pra nós mesmos tentando manter a calma. No final, as coisas serão como serão, e no próximo mês estaremos longe, com saudades e tantas outras ansiedades e vontades. E é bonito.

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