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Sobre ser vegetariana

Reading Time: 7 minutes

Eu estava tranquila cuidando da minha vida e evitando demasiadas explicações sobre a minha alimentação — que até mesmo antecedem os meus esforços quanto ao desperdício zero, pois, veja bem, apesar de uma dieta à base de plantas ter tudo a ver com desperdício zero, sinto uma reação muito mais negativa vinda das pessoas quando falo que sou vegetariana do que quando falo que não uso plástico.

Mas chegou a hora, meus amigos, de falar sobre alimentação minimalista, reeducação alimentar e a busca por fontes de energia que ajudam o corpo a operar em sua melhor forma, e não a destruí-lo aos poucos.

Depois de todas aquelas revelações quanto à carne putrefatapaçoquinha cancerígena no início do ano e, agora no final do ano, ter sido anfitriã de uma ceia de Natal incrível onde carne foi só enfeite de DOIS dos muitos pratos que meus amigos trouxeram, me sinto em um bom momento para compartilhar um pouco do que penso sobre dieta.

Aviso Legal: Pensei em usar fotos grotescas de animais maltratados, ao invés disso, optei por fotos de animaizinhos vivos e felizes e comidas veganas apetitosas 


A cultura da carne

Muita gente não entende muito bem qual é o problema em comer carne, acha que carne, por ser tão comum na alimentação do Brasileiro, existe em abundância e seria impossível remover da dieta, já ouvi, inclusive, dizerem que o único jeito de pobre se alimentar é com mortadela (pois saiba que grande parte dos países mais pobres são também os países mais vegetarianos).

A ideia de que comer carne é essencial e barato, como qualquer outro problema atual na sociedade, é algo cultural e ideológico. Assim como somos influenciados inconscientemente a reconhecer os dotes da mulher quanto ao lar como algo da “natureza feminina”, também caímos na ideia de que carne é essencial para o funcionamento do nosso corpo e para a união das nossas tribos.

Muitas vezes, adoramos a ideia de comer carne sem nem refletirmos se realmente gostamos de carne. O simples repúdio que temos ao pensar em carne de gato e cachorro, que não ocorre quando pensamos em carne de vaca, de porco e até mesmo de coelho, já prova o quanto objetificamos os animais para suportar uma ideologia.

Acontece que a cultura da carne não está presente em todos os lugares do mundo (ainda, e felizmente), inclusive, se dermos uma espiadinha maior para além da nossa bolha pessoal, vemos que carne é o alimento mais caro que existe, não só monetariamente, mas ambientalmente também.

Dois bezerros fofos
Dois bezerrinhos, não são fofos?

O problema da carne

Sendo super sincera, eu não vejo problema nenhum em comer carne. Pode até soar hipócrita, mas eu não me importo ~tanto assim~ com o sofrimento dos animais e entendo a argumentação de que o ser humano está no topo da cadeia alimentar, entendo também a importância da carne na evolução da humanidade e tudo o mais.

Mas uma coisa que é bem difícil para o nosso ~cérebro evoluído~ entender é que, muitas vezes, para evoluir, precisamos observar o que não precisamos mais e retirar da nossa vida, ao invés de adicionar mais de uma coisa que não nos fortalece como humanidade.

O que me incomoda não é o consumo de carne em si, mas sim, a indústria da carne e a glorificação do bife às custas da terra.

Podemos culpar a indústria e a super população do planeta o quanto quisermos, mas enquanto prezamos por carne três refeições por dia todos os dias da semana, estamos financiando não somente a indústria que nos alimenta de carne vencida com papelão, mas também:

Porquinhos
Você sabia que os porcos são tão empáticos e inteligentes quanto os cachorros?

O Vegetarianismo e o Veganismo

Introdução: Não, vegetarianismo e veganismo não significa se achar superior e ficar impondo estilo de vida nos outros, isso se chama imbecilidade. Assim como em qualquer grupo de interesse, existem veganos imbecis. Ser vegano não tem nada a ver com os outros, é uma escolha sua e que beneficia a sociedade em geral, mas ninguém deveria ficar cobrando do outro ou se achando superior por fazer isso ou aquilo, cada um tem a sua jornada.

Existem muitos tipos de “Ser Vegetariano” ou “Ser Vegano”, mas o que liga estas filosofias é a alimentação à base de plantas, ou seja, o teor de consumo de produtos derivados de animais varia, mas a maior quantidade do consumo vem das plantas.

Veganismo é optar não somente por não se alimentar de produtos derivados de animais, mas por não consumir nada de origem animal, muitas vezes, valendo para vestimentas e ítens domésticos (como casacos de lã ou tapetes de couro) e até mesmo açúcar refinado ou vinho.

As pessoas escolhem ser vegetarianas ou veganas por diversas razões, desde questões de saúde, éticas, culturais e/ou ambientais. Muitos escolhem estes estilos de vida para promover um mundo mais humano e solidário com todos os seres vivos.

Por exemplo, o consumo de ovos e produtos lácteos, além de promover atos cruéis para os animais, também promove a indústria da carne, dado que uma vez que as vacas leiteiras ou galinhas poedeiras são muito velhas para serem produtivas, elas são vendidas como carne.

Também, como bezerros machos não produzem leite, eles geralmente são criados para carne de vitela ou outros produtos, e pintinhos machos, muitas vezes, são executados na hora que nascem, dado que não servem para a produção de ovos e não crescem rápido o suficiente para gerarem lucro como carne. Nota: estamos falando da indústria em geral, não da pequena granja do seu Zé.

 


Vegetarianismo, Veganismo e o Desperdício Zero

Uma coisa que me incomoda um pouco na ideia do veganismo é a preocupação extrema com os animais de modo geral e a negligência quanto ao lixo gerado pelo indivíduo, que também mata pássaros e tantos outros animais, como animais marítimos.

Quando não se preocupa com o seu lixo, é extremamente fácil mudar de salsichas de carne para salsichas vegetais, de bacon para tofu, de iogurte de leite para iogurte de soja, e tantas outras opções de alimentos veganos que vem embalados em plástico.

Quando você se preocupa com o seu lixo, você acaba comendo de maneira ainda mais consciente e até mesmo mais saudável do que simplesmente trocando produtos de origem animal por sua versão vegana, dado que muitos produtos marketados para veganos são cheios de aditivos e conservantes e, é claro, cheios de plástico (sem contar com óleo de palma, que também é um grande causador de desmatamento).

vegetais em uma cesta, sem embalagem
Comprar alimentos sem embalagem é mais fácil e mais gostoso 😉

Encontrando o balanço

Encontrar o balanço do que funciona para a sua rotina, para o seu paladar e para a sua saúde, em geral, é uma longa jornada de muitas descobertas e aprendizados sobre você mesmo, sobre os alimentos e seus nutrientes. Há um processo de desconstrução e reencontro com os nossos valores que precisa acontecer.

É preciso parar de se enganar e achar que está tudo bem, que se fosse ruim mesmo, o governo, o papa, ou Deus proibiria. Parar de tentar um pouquinho e achar muito difícil, parar de choramingar e culpar a indústria, a cultura, o churrasco do domingo que é inevitável. Parar de colocar impedimentos e desculpinhas como “ah, mas alfaces também tem sentimentos”. [Ver todas as desculpinhas carnistas]

Só pra constar, mesmo que fosse cientificamente provado que plantas tem sentimentos (a neurociência define que ter senciência, poder sentir, depende de um cérebro e de um sistema nervoso, algo que os vegetais não possuem), o veganismo ainda seria a melhor opção, pois a pecuária ocasiona um verdadeiro “holocausto vegetal”, dado que para cada quilo de carne bovina se “mata” sete quilos de plantas.

Eu ainda não sou a pessoa vegana que quero ser e por isso me considero vegetariana na maior parte do tempo, mas como acredito na importância da jornada, acho que vale compartilhar os meus maiores desafios:

1) Remover queijo da dieta (morando na Holanda fica ainda mais difícil, sabe).

2) Remover alguns alimentos de padaria, como croissants e muffins (principalmente quando esqueço de preparar lanche da tarde).

Assim como tenho as minhas dificuldades, tenho também as minhas regras inquebráveis:

1) Não consumo carne. Não consumo ovos. Não consumo leite.

2) Não consumo nada que venha embalado em plástico.

Procuro sempre encontrar o balanço na minha alimentação que vai me fazer ter certeza de que essas duas regras estão sendo seguidas e não me sinto culpada em trocar um iogurte vegano (plástico) por uma fatia de queijo.

Ainda, quando comentei com um amigo vegano que não estava sendo fácil largar o queijo, ele disse “se você não consegue ser vegan porque não consegue viver ser queijo, seja vegan com exceção do queijo.”.

E se você, pessoa vegana maravilhosa, quiser me dar dicas de como superar estes desafios, por favor, estou querendo muito ouvir 🙂

Hamburger de tomate seco e grão de bico
Hamburger de tomate seco e grão de bico, não tem como não amar <3 Receita aqui

Extra! Extra! Como começar a consumir menos carne e produtos derivados de animais

A não ser que você seja um expert em nutrição, é aconselhável não cortar tudo de uma hora para a outra. Você precisa conhecer e entender como o seu corpo reage às mudanças alimentícias. Quando eu decidi virar vegetariana, instantaneamente parei de comer carne mas continuei a comer normalmente como de costume, meu corpo sentiu falta de proteína e ferro e comecei a me sentir bastante fraca. O que deve ocorrer é uma substituição, não uma negação alimentar.

Algumas opções para começar devagar:

  • Adicione mais alimentos de origem vegetal na sua dieta antes de tirar os de origem animal
  • Entre no movimento das segundas-feiras sem carne
  • Coma carne em somente uma das refeições (ou no café da manhã, ou no almoço, ou na janta)
  • Coma carne somente nos fins de semana
  • Coma carne somente em ocasiões especiais
  • Não leve carne para dentro de casa, só coma quando estiver fora
  • O “famoso” Bacontarianismo (não comer nada de carne exceto bacon — sim, eu fiz isso por um tempo, mas a dor de ver os porquinhos sendo mortos venceu e o gosto do bacon ficou ruim).
  • Entenda de onde vem. Se ainda não é o momento de parar, procure consumir carne e produtos animais onde há troca de produtor para consumidor, ao invés de se jogar nas bandejas de isopor do supermercado.
  • Vale reforçar que é importante aprender mais sobre nutrição. Entender fontes de ferro, cálcio e proteínas e evitar soja em excesso, já que é bem comum as pessoas irem atrás de produtos de soja para substituir produtos de origem animal e acabarem se privando de nutrientes importantes para a saúde (tudo que é em excesso….).
  • Lembre-se que é uma jornada, e cada um tem a sua jornada pessoal.

Foto de capa desta receita de arroz vegano maravilhosa.

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